Como as lojas online podem se adequar à LGPD?

Tudo o que fazemos online gera novos dados. Entre eles estão as informações de comportamento dentro de sites, cadastros, registros de meios de pagamentos, conversas, interações e etc. Para quem vende produtos ou serviços na internet, esses dados são valiosos. A partir deles, é possível conhecer melhor cada cliente, permitindo que as empresas façam ofertas melhores e saibam como está sendo a experiência dentro de cada página de uma loja virtual, por exemplo.

Além disso, quando uma empresa tem dados de quem visita seu e-commerce, pode manter a comunicação com o usuário muito tempo depois que ele acessou o site. É possível colocar anúncios dos produtos que ele viu nas redes sociais, entrar em contato por e-mail, SMS, etc.

Porém, a coleta de tantas informações pessoais deverá ser diferente com a entrada da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em vigor, em agosto de 2020. Exemplo disso é que será preciso ter o consentimento dos usuários para o uso de cookies, que registram os dados de navegação online. Os formulários também terão de deixar explícito qual a finalidade da coleta de informações. Se os e-mails e números de telefone solicitados forem usados para ações de marketing, os clientes também devem estar cientes disso.

Outra questão importante é que grandes sites de e-commerce podem sofrer ataques de hackers, procurando informações pessoais. Essas ameaças podem comprometer os dados pessoais de visitantes. As ameaças mais comuns de segurança e privacidade incluem phishing (e-mails e websites falsos), roubo ou uso indevido de dados pessoais ou de cartões, malware e hackers. A LGPD irá exigir maior segurança para que as informações de clientes não sejam vazadas com esse tipo de situação.

O roubo de senha e identidade também é algo que deve ser pensado por quem atua no comércio eletrônico. Os sites devem exigir senhas fortes ou métodos de autenticação avançados, além de conscientizar os clientes sobre as práticas recomendadas ao criar senhas (não utilizando combinações simples). Caso contrário, os invasores podem encontrar padrões e descobrir facilmente as senhas dos consumidores, permitindo que seus dados pessoais sejam roubados

 

Coleta de informações deve ser consentida pelos usuários

Uma das mudanças mais importantes para as lojas virtuais é que, ao abrir o site, o usuário deverá consentir ou não com o uso de cookies. Assim cada pessoa poderá escolher se aceita que seu dados de navegação fiquem guardados, além de selecionar quais tipos de informações deseja compartilhar.

Deve estar visível ao visitantes quais tipos de cookies o site utiliza e qual a finalidade de cada um, para que eles tenham autonomia de decidir quais aceitam. A página também deve conter um link para as políticas de privacidade do site, que terão mais informações sobre a coleta de dados pessoais.

 

Conhecimento da finalidade da coleta de dados

Além de estar presente no site o objetivo para os quais os cookies são usados, essa informação precisa estar em formulários que pedem informações pessoais. Ao final do preenchimento, o usuário deve poder consentir ou não com o uso dos dados que forneceu para fins comerciais, como envio de anúncios.

Por isso, é de extrema importância melhorar o relacionamento com o público e aumentar a qualidade de anúncios e conteúdos de marca. Quando o cliente tem uma boa experiência ao receber os e-mails e mensagens de uma loja online, há maiores chances de ele consentir com o uso de seus dados de contato.

 

Lojas devem atender aos pedidos dos titulares dos dados

Por último, com a LGPD em vigência, os clientes poderão pedir o acesso aos dados pessoais que as lojas virtuais têm sobre eles. Poderão ser solicitadas a revisão, alteração e exclusão dessas informações quando o cliente desejar.

A presença de um DPO, ou Encarregado de Dados, no time de grandes lojas virtuais, portanto, é imprescindível. É esse profissional que irá atender aos pedidos dos titulares das informações, além de prestar contas à Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que poderá aplicar as multas se necessário.

A LGPD não é algo negativo empresas o comércio eletrônico. Ela ajuda as lojas virtuais que coletam dados online, incentivando-as a ser mais transparentes, mais focadas nas necessidades dos cliente e mais criativas.